| Um
Aniversário Diferente. Pois é pessoal, vou contar para vocês como foram meus
últimos dias. É uma história alegre e triste ao mesmo tempo. Sexta Feira, um
dia normal, fora que eu estava fazendo 41 primaveras. |
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Tinha me programado para passar
o fim de semana em Bento, para arrecadar preciosos votos para o PSDB nas
eleições municipais. Mas o pessoal da CBM ligou convocando a Lorena para uma
reunião no sábado em Curitiba, Assunto SuperCross. Como apoio a Lorena nestas
coisas, nos programamos para viajar a Curitiba na noite de Sexta Feira.
Saímos tranqüilos, jantamos no Restaurante Bela Vista na divisa de Vacaria
com Santa Catarina. |
| Na Parati, eu ao volante, a Lorena ao meu lado, o Pedrinho (nosso
filho de 10 anos) atrás de mim, atrás da Lorena o Foguinho que faz a
cobertura fotográfica dos eventos de Cross no RS. Descansados seguimos
viagem, subindo a serra do Rio Pelotas, rumo a Lages. No Km 303 sofremos o
abalroamento. Seguíamos atrás de 2 caminhões grandes, provavelmente 60 ou 70
Km/h, numa subida. |
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De trás de nós um automóvel de cor escura
nos ultrapassa e segue ultrapassando os caminhões. Quanto ele está entre o
primeiro e o segundo caminhão, um Celta sai da curva descendo a serra em alta
velocidade e para não atingir o veículo, desvia para o acostamento. Na
seqüência acontece o inesperado, pois o normal seria o Celta seguir no
acostamento até reduzir a velocidade a 40~50 Km/h e retornar a pista de
maneira controlada. |
| Ao
contrário disso o motorista do Celta, em alta velocidade, puxa o volante para
a pista, neste momento ele perde o controle do Celta, e entra de maneira
descontrolada num ângulo de cerca de 20 graus. Sem nenhum controle da direção
do carro. O Celta vem na nossa direção sem tempo para desviar ou evitar o
impacto. Tive tempo apenas para frear
o carro fortemente e fui atingido. |
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O pessoal do Celta teve muita
sorte que estávamos ali para bater, caso contrário teriam cruzado a pista,
descido o barranco e provavelmente capotado, considerando que as pessoas que
estavam no banco de trás estavam sem o cinto de segurança, uma capotagem
teria conseqüências muito sérias. Preso ali nas ferragens, desliguei a chave
geral e do farol do carro para evitar um incêndio, soltei o cinto de
segurança da Lorena, depois o meu, e comecei a me avaliar. |
| Os 2
veículos ficaram sobre a via. O primeiro a sair da Parati foi o Foguinho, que
na seqüência tirou o Pedrinho e a
Lorena. Não tinha mobilidade da perna esquerda, embora sentisse que ela
sangrava, não conseguia sentir o sangue na parte externa, portanto o
sangramento era apenas interno. Comecei a pedir socorro, mas não foi fácil
manter a calma enquanto aguardava, senti que seria resgatado quando chegaram
3 estudantes de Vacaria que faziam enfermagem em Lages, e começaram a dominar
a situação. |
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| Na
seqüência chegou uma ambulância de Lages com todo material necessário para a
imobilização, e me removeram pelo porta malas. |
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Entre o impacto e a saída da
ambulância em direção a Lages demorou 1h30, mais 45 min para chegar no
hospital N. S. dos Prazeres. Fui o terceiro no raio x, onde constataram a
fratura gravíssima do Fêmur esquerdo. Imediatamente iniciaram tratamento de
tração na perna, para tentar trazer o osso para a posição correta. |
| Em
Lages constataram que a Lorena, o Pedrinho e o Foguinho tinham apenas as
luxações decorrentes do cinto de segurança, e foram liberados. Meu
agradecimento especial a Jussara e ao Paulo Todeschini que ficaram com o
Pedrinho de sexta até domingo, enquanto a Lorena e o Foguinho ficaram em
repouso no hotel para se recuperarem um pouco do trauma. |
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No Celta teve, braço, clavícula
e pé quebrado, além de muitos cortes. No sábado as 19h00 horas fizeram a
cirurgia para implante de uma haste de 40 cm, mais de 30 pontos, parafusos,
etc... |
No
Domingo de manhã o Renan Tomasi levou o pessoal para Bento e eu fiquei no
hospital me recuperando, segui para Bento na Terça de tarde com o Unirio
Pastorello. Balanço Geral:
Tudo no corpo ta doendo, só o Pedrinho está 100 %, |
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eu,
a Lorena, e o Foguinho estamos com o corpo cheio de hematomas e marcas do
cinto de segurança. Vou levar provavelmente 90 dias para calcificar os vazios
que ficaram no fêmur, portanto até lá só andador. A partir de janeiro quem
sabe, fisioterapia, e lá em abril motocicleta. Viagem de moto neste fim de
ano, nem pensar. Lado bom da coisa: Fomos os guardiões das pessoas do Celta,
pois evitamos que eles caíssem o barranco, ao baterem em nós. |
| Uma
vida salva justifica qualquer coisa que tenha acontecido. 3 segundos seria o
suficiente para não estarmos ali. Mas como tudo não pode ser da maneira mais
simples, dia 22/10/08 voltei para o hospital. Agora no Tachinni em Bento
Gonçalves. As 10 horas da manhã, Dr. Scarton, Dr Kruel e Dr Tramontini
retiraram a prótese em ponte, que entortou, um problema a mais na minha
recuperação, e no seu lugar colocaram uma haste no tutano do fêmur. |
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A Haste de 12 mm de diâmetro,
com 400 mm de comprimento vai do topo do fêmur até quase o joelho, é bem mais
resistente que a prótese em ponte. A cirurgia é coisa de assustar, furadeira,
marreta, parafusos e mais de 40 pontos. Tenho me recuperado bem, e até já vou
trabalhar na Pastorello desde o dia 03/11/08, também voltei a ir nas reuniões
do Moto Clube e em alguns eventos da FGM. |
| O
tratamento todo é cabeludo, pois tomei antibiótico em soro de meio litro de 4
em 4 horas, mais um outro uma vez por dia, depois teve um que foram dez soros
de antibiótico 2 vezes por dia, e por fim 5 semanas de antobiótio em
comprimido 2 vezes por dia, tudo porque estava com um princípio de infecção
nos pontos, o que é muito perigoso se chegar a atingir o osso. Resumindo
foram mais de 50 soros entre as duas internações, e mais de 100 comprimidos. |
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Tô cada dia mais animado, já não
tomo remédio para dor, e aos pouquinhos as coisas estão se ajeitando. As
obras, andaimes e congêneres vou deixar para que outros visitem. Como não
teremos tantos eventos nos fins de semana, vai sobrar um tempinho para finalizar
meu livro. |
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